CGU identifica rombo milionário
Brasília (AE) - A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou até agora um rombo de R$ 124 milhões em contratos de obras e prestação de serviços com a rede de seis hospitais federais do Rio de Janeiro. Solicitada pelo Ministério da Saúde, a auditoria começou em abril de 2011 e já rastreou um total de R$ 887 milhões em negócios com empresas privadas nos últimos anos. As fraudes consumiram mais de 14% desse montante e três das quatro empresas que participaram do esquema de corrupção denunciado pelo programa Fantástico, da TV Globo, estão entre as citadas no levantamento da CGU.
Waldemir Barreto/Ag. Senado
Álvaro Dias, falando ao microfone, diz já ter um terço das assinaturas para instalação de uma comissão de inquérito no Senado

São elas a Rufolo Serviços Técnicos e Construções, a Locanty Soluções, especializada em coleta de lixo e serviços hospitalares e a Toesa Service, que atua como locadora de veículos, transporte e atendimento emergencial em UTIs móveis. Entre outras irregularidades, os auditores anotaram indícios de direcionamento de licitações realizadas pelos hospitais, cartelização nos serviços de lavanderia, limpeza e conservação hospitalar e alimentação, superestimativa de quantitativos de equipamentos locados e alto custo das locações quando comparadas à possibilidade de compra.
No caso da Rufolo, a CGU apontou ausência de fiscalização na execução de contratos com a rede e pagamento de R$ 780 mil sem cobertura em um deles. O órgão recomendou a apuração de responsabilidades pela irregularidade, constatada na auditoria anual de gestão do exercício de 2009. A auditoria, que ainda está em fase de fechamento, constatou que, também em 2009, a Locanty foi contratada irregularmente para prestar serviço de coleta de lixo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por dispensa emergencial, embora tenha apresentado preços unitários 180% maiores que os da concorrente Rodocon.
Outra com diversas irregularidades contratuais detectadas, a Toesa figura no Cadastro de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis), mantido pela CGU e foi impedida de contratar com a administração federal por cinco anos. A pena, aplicada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), vale até julho de 2013, mas uma liminar da Justiça restringiu a proibição apenas aos contratos com o órgão. A empresa continua atuando livremente junto aos hospitais federais no Rio e órgãos públicos diversos, inclusive de outros Estados.
Com ramificações também no Centro-Oeste, a Toesa foi investigada até no inquérito da Operação Caixa de Pandora, que desmantelou um esquema de desvio de dinheiro público no governo do Distrito Federal e provocou a prisão e cassação do governador José Roberto Arruda (ex-DEM) em 2010. Ineficiente na gestão do dinheiro público, o governo do DF deixou aplicados em conta remunerada os recursos destinados à expansão da rede de saúde, o que resultou na necessidade de contratação de serviços emergenciais terceirizados.
Com a rede a sucateada, várias empresas obtiveram contratos milionários. A Toesa, uma delas, levou em 2009 contrato no valor de R$ 12,9 milhões, com indícios de fraudes e pagamento de propina a agentes públicos.
Fonte: Vannildo Mendes - Agência Estado
Via Tribuna do Norte
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